VOCÊ ESTÁ LENDO >> Victoria’s Secret: marca não acompanhou as mudanças de uma geração
POR Giovana Marques | 14 de agosto

Os holofotes estão sobre a Victoria’s Secret como não ficavam há um tempo. Conhecida pelo desfile com supermodelos inalcançáveis, a label está passando por uma crise de identificação com o público. Em uma era de positividade corporal, medidas restritas são cada vez menos aceitas. No início do ano, a L Brands anunciou que planejava fechar mais de 50 lojas da marca em 2019.

Casting da Victoria's Secret

Casting do Victoria’s Secret Fashion show conduzido por Ed Razek. (Foto: divulgação)

Os rumores que o show deste ano não iria acontecer foram apenas o início. A partir de uma declaração da modelo Shanina Shaik, em entrevista ao The Daily Telegraph, o assunto ganhou mais força: “Infelizmente, o Victoria’s Secret Fashion Show não vai acontecer neste ano […] Mas tenho certeza de que no futuro algo vai acontecer, estou certa disso”, contou.

Segundo ela, os produtores provavelmente deviam estar trabalhando na marca e procurando outras formas de fazer o desfile, “porque é o melhor show do mundo”. Pouco depois, em um memorando direcionado aos funcionários, o diretor-executivo Les Wexner confirmou que o desfile estava passando por mudanças e que um novo tipo de evento estava sendo desenhado.

“Decidimos repensar o tradicional VSFS. No futuro, não acreditamos que a rede de televisão seja a opção certa”, explicou.

Asas para quem?

A crise da empresa ficou mais forte quando o então diretor executivo de marketing Ed Razek disse, no ano passado, em entrevista à Vogue americana, que as pessoas não têm interesse em um show com modelos de tamanhos maiores. Além disso, ele se mostrou contrário à inclusão de transexuais na passarela.

“Você não deveria ter transexuais no desfile? Não, não, acho que devemos. Bem, por que não? Porque o show é uma fantasia”, declarou.

Valentina Sampaio

Valentina Sampaio foi a primeira transexual a posar para a Victoria’s Secret. (Foto: book da modelo, fotógrafo não identificado).

O que ele não esperava era uma reviravolta. Pouco antes de abdicar do seu posto na VS, a modelo transexual brasileira Valentina Sampaio foi contratada para uma sessão de fotos da linha PINK. Em entrevista a ELA, do grupo globo, Valentina disse se sentir “honrada e feliz”.

“Cheguei a ser cancelada de trabalhos por acharem que eu não estaria alinhada com a filosofia conservadora de determinadas marcas. Naquele momento, isso me machucou. Cogitei que havia algo de errado comigo. Depois, entendi que eu não era o problema”, reflete.

A força do positivo

Na contramão da perpetuação histórica de padrões, o movimento Body Positive (Positividade Corporal) nasce nos Estados Unidos no fim dos anos 1990 com a iniciativa de duas mulheres: Connie Sobczak e Elizabeth Scott.

Fenty Savage por Rihanna

Ao contrário da Victoria’s Secret, a Fenty Savage inclui mulheres com diferentes tipos físicos. (Foto: Myah Jones)

O BP visa a aceitação corporal de acordo com as características e história de cada mulher. Além disso, há também um recorte social: todos os corpos têm direito de acessar espaços representativos.

Uma das marcas que ficou reconhecida por estar em sintonia com esse movimento é a SAVEGE X FENTY, de Rihanna. Enquanto a numeração da Victoria’s Secret vai até o 40DDD (52 no tamanho brasileiro), a marca de Riri abrange até o 46DDD.

“Queremos que as pessoas fiquem bem e se sintam bem”, explica a empresária e artista no site da empresa.

Choque de realidade

A mídia possui grande influência na maneira como os corpos são percebidos e sentidos, afetando desde aspectos íntimos até coletivos.

De acordo com o Google Trends, um mês após a transmissão do desfile de 2018 com modelos como Adriana Lima, Kendall Jenner e Gigi Haddid, o assunto “Victoria’s Secret Model Diet” (Dieta de modelos da Victoria’s Secret) teve o maior pico do ano.

O show aconteceu no dia 08/11 e, entre os dias 11 e 17, as pesquisas chegaram a 84 pontos. Na semana anterior ao desfile, ninguém estava buscando pelo assunto na plataforma (0 pontos).



ESCRITO POR Giovana Marques

COMPARTILHAR

COMENTÁRIOS

LEIA MAIS EM Business

12 de maio

Onde está a moda inclusiva? Os desafios para encontrar roupas para o público PcD

Especialista sobre o assunta aponta o preconceito como principal fator para a falta de inclusão na moda

por Beatriz Neves
1 de agosto

Coolhunting, espírito do tempo e consumo: reflexões e aprendizados com Iza Dezon

Uma conversa com a pesquisadora de tendências sobre a carreira de coolhunter e tendências de...

por Andreia Meneguete
17 de abril

8 dicas de carreira no Jornalismo de Moda com Laís Franklin, da Vogue Brasil

Editora do site da Vogue Brasil sinaliza pontos importantes para quem deseja seguir na carreira de jornalismo de moda

por Júlia Vilaça
10 de fevereiro

Por trás das lentes de Caíto Maia

Simples assim: um banquete de óculos, acompanhado de uma fartura de relógios tudo sob o...

por Raíssa Zogbi

ÚLTIMAS POSTAGENS

Arraste para o lado
13 de julho

Jornalismo de beleza: o que mudou na editoria que tanto ditava regras para as mulheres?

Editora de beleza da Glamour Isabella Marinelli reflete a nova fase deste segmento do jornalismo

por Isadora Vila Nova
13 de julho

5 reflexões sobre o Jornalismo de Beleza na Revista Glamour por Isabella Marinelli

Editora revela os pilares inegociáveis da revista Glamour quando o assunto é texto e imagem de beleza

por Clara Nilo
13 de julho

Raio X da Glamour Brasil: os pilares que fazem a revista se diferenciar no mercado

Renata Garcia, diretora de conteúdo da Glamour, explica como a revista se mantem relevante para seus leitores

por José Eduardo Chirito
13 de julho

Um passeio pela história e reinvenção da Glamour com Renata Garcia

A diretora de conteúdo relembra a trajetória do título e comenta a reformulação editorial para atender o novo leitor

por Gabriela Leonardi
13 de julho

Tecnologia a favor da transparência da produção: o que é blockchain na moda de luxo?

Compreenda como a nova tecnologia irá impactar a dinâmica de consumo do mercado da alta-costura

por Jefferson Alves
13 de julho

Luanda Vieira: como o medo e a comparação não podem matar nossa carreira

A criadora de conteúdo abre as cortinas para os bastidores de sua carreira em grandes revistas e no universo digital

por João Pascoal
22 de novembro

Geração Z e consumo: 7 insights para você entender melhor o público jovem

Totalmente conectados e imersos nas mídias sociais, esses jovens trazem novas expectativas e comportamentos ao mercado.

por Carolina Duque
21 de novembro

Jonathan Anderson: o visionário diretor criativo por trás da grife espanhola Loewe

Conheça mais sobre o diretor criativo da Loewe, a marca de luxo mais queridinha do momento

por Carolina Duque