VOCÊ ESTÁ LENDO >> Oscar de la Renta tem coleção confusa e inconsistente
POR Guilherme de Beauharnais | 13 de fevereiro

Na última terça-feira (11/02), Laura Kim e Fernando Garcia apresentaram, durante a NYFW, a coleção outono-inverno 2020/21 de Oscar de la Renta, grife na qual são co-diretores criativos desde 2016. Ambos já haviam trabalhado para a marca na época em que seu fundador ainda estava vivo, mas com sua morte em 2014, a dupla resolveu abrir em conjunto a Monse. Depois que Peter Copping, sucessor de la Renta, deixou a marca após 21 meses, Kim e Garcia foram chamados de volta como co-criadores.

Os estilistas deixaram a apresentação ao lado da modelo Bella Hadid, que estava com um vestido curto de veludo vermelho, capuz e capa de plumas, em uma versão excêntrica de Chapeuzinho Vermelho. Foto: Alessandro Lucioni / Gorunway.com

A última imagem do desfile – que atrasou em quase uma hora – talvez seja uma boa ilustração da natureza desconcertante da coleção: os dois estilistas deixaram a apresentação ao lado da modelo Bella Hadid, que estava com um vestido curto de veludo vermelho, capuz e capa de plumas, em uma versão excêntrica de Chapeuzinho Vermelho.

Mistura-mistura

Se houve um vilão nesse “conto de fadas” foi o mau planejamento e a inconsistência entre as 51 peças que desfilaram. As primeiras modelos preludiaram um tom urbano e minimalista de color-blocking que rapidamente se transformou em estampas maxi-florais em tons de branco, preto, rosa e vermelho. Na mesma velocidade, entraram vestidos brilhantes de cetim em cores lisas que seriam logo substituídos por padronagens geométricas, como os losangos pretos e brancos que trouxeram imediatamente à memória as estampas arlequinais de Gianni Versace dos anos 80 – e que Olivier Rousteing já reviveu há 15 temporadas, em sua coleção de primavera-verão 2013 para a Balmain -.

Os vestidos longos de festa mesclaram veludo, plumas, lamê, bordados e tule que, apesar de terem produzidos algumas belas peças, em conjunto pareceram caóticos e deslocados. Entre as estampas, houve referência ao céu do pós-impressionista Van Gogh em “Noite Estrelada”, enquanto uma modelo desfilou um bordado de fogos de artifício, evocando uma atmosfera Disney. Outras estampas traziam elementos dos quadros barrocos de Caravaggio e a dupla de estilistas ainda tentou, aqui e acolá, insinuar uma estética greco-romana, já explorada à exaustão por Maria Grazia Chiuri na coleção de alta-costura primavera-verão 2020 da Dior, apresentada no mês passado.

Raízes da inspiração

Segundo Kim e Garcia, as fotos do Baile Preto e Branco (organizado em 1966 em Nova York por Truman Capote em homenagem à Katherine Graham) serviram como referência. O embaraço surge quando a elegância da festa dos anos 60 em nada se assemelha ao turbilhão de propostas estéticas trazidas pela dupla, o que causa desconforto e inquietação no espectador.

Individualmente, as peças têm charme e potencial: a atriz Scarlett Johansson vestiu, na última edição do Oscar (09/02), tiras brilhantes criadas pela dupla e que apareceram nesse desfile. O problema com as criações de Fernando Garcia e Laura Kim foi a falta de um elo. O desfile, confuso e sem alma, deixa nessa edição da NYFW um vazio que implora por ser preenchido com mais consistência e objetividade na próxima temporada.



ESCRITO POR Guilherme de Beauharnais

COMPARTILHAR

COMENTÁRIOS

LEIA MAIS EM Moda

12 de maio

8 Perfis do Tiktok para Acompanhar e Aprender Sobre o Mercado de Moda

Muito além do look do dia e de dancinhas, o Tiktok permite a democratização e acessibilidade aos conteúdos sobre moda

por Ana Flávia Gimenez
1 de junho

Jornada nas Estrelas: a Moda e o Espaço Sideral

O início de uma nova fase na Era Espacial pelo lançamento da nave Dragon Crew...

por Guilherme de Beauharnais
7 de outubro

Chanel sem holofotes: desfile de primavera é desconexo e sem criatividade

Com uma coleção desconectada do tema, Virginie Viard traz à passarela looks apáticos e sem enredo

por Guilherme de Beauharnais
18 de novembro

Amapô celebra o Ceará nas passarelas

Marca constrói pontes e destaca a produção de moda do estado no maior evento de...

por Zeinab Bazzi

ÚLTIMAS POSTAGENS

Arraste para o lado
13 de julho

Jornalismo de beleza: o que mudou na editoria que tanto ditava regras para as mulheres?

Editora de beleza da Glamour Isabella Marinelli reflete a nova fase deste segmento do jornalismo

por Isadora Vila Nova
13 de julho

5 reflexões sobre o Jornalismo de Beleza na Revista Glamour por Isabella Marinelli

Editora revela os pilares inegociáveis da revista Glamour quando o assunto é texto e imagem de beleza

por Clara Nilo
13 de julho

Raio X da Glamour Brasil: os pilares que fazem a revista se diferenciar no mercado

Renata Garcia, diretora de conteúdo da Glamour, explica como a revista se mantem relevante para seus leitores

por José Eduardo Chirito
13 de julho

Um passeio pela história e reinvenção da Glamour com Renata Garcia

A diretora de conteúdo relembra a trajetória do título e comenta a reformulação editorial para atender o novo leitor

por Gabriela Leonardi
13 de julho

Tecnologia a favor da transparência da produção: o que é blockchain na moda de luxo?

Compreenda como a nova tecnologia irá impactar a dinâmica de consumo do mercado da alta-costura

por Jefferson Alves
13 de julho

Luanda Vieira: como o medo e a comparação não podem matar nossa carreira

A criadora de conteúdo abre as cortinas para os bastidores de sua carreira em grandes revistas e no universo digital

por João Pascoal
22 de novembro

Geração Z e consumo: 7 insights para você entender melhor o público jovem

Totalmente conectados e imersos nas mídias sociais, esses jovens trazem novas expectativas e comportamentos ao mercado.

por Carolina Duque
21 de novembro

Jonathan Anderson: o visionário diretor criativo por trás da grife espanhola Loewe

Conheça mais sobre o diretor criativo da Loewe, a marca de luxo mais queridinha do momento

por Carolina Duque