VOCÊ ESTÁ LENDO >> Das conexões à especialização: Carolina Merino conta como construir uma carreira no jornalismo de beleza
POR Joicy Eleiny | 25 de outubro

Repórter da Revista Glamour compartilha orientações de carreira, experiências no mercado e dicas profissionais

Como um jornalista se torna especialista em moda e beleza? Onde encontrar oportunidades e como se tornar capacitado para trabalhar em grandes veículos? Carolina Merino, repórter de beleza há quatro anos na Glamour Brasil, contou para alunos da Pós-Graduação em Jornalismo e Comunicação de Moda e Beleza (ESPM), durante o encontro Leader In Class, como construiu sua carreira segmentada e quais as habilidades necessárias para crescer na área.

Carolina Merino, repórter de beleza Glamour Brasil, através do Instagram. Foto: Reprodução/Instagram @caamerino

Merino é jornalista com pós-graduação em branding e marketing de luxo, trabalhou em assessorias de imprensa, na marca de beleza Sallve e no veículo digital Dia de Beauté, antes de integrar a equipe da Glamour. A repórter compartilhou orientações e insights valiosos para quem pretende se especializar nessa editoria. Confira:

Quando dar o primeiro passo em direção ao Jornalismo de Beleza?

Como ponto de partida, visualizar a sua vida alguns anos à frente pode ser uma das estratégias mais simples desde a formação. E foi exatamente o que Carolina Merino contou ter feito durante a graduação: “Quando eu entrei na faculdade, eu já sabia que eu queria trabalhar com beleza. E eu acho que isso foi essencial para a minha carreira, eu já fazia todos os trabalhos relacionados, para treinar a minha escrita e olhar para esse universo. Eu decidi fazer o meu TCC focado em revistas femininas, então eu entrevistei mais de 30 jornalistas. Eu conheci essas pessoas, me conectei e, depois, acabei me tornando colega de profissão delas”, conta.

O espaço em universidades e instituições promove uma concentração de pessoas com diferentes acessos: colegas podem ser parceiros em projetos para além das entregas avaliativas e professores uma ponte com o mercado real. Portanto, aproveitar esse ambiente de maneira assertiva otimiza o tempo e potencializa a experiência. Para Carolina, fazer conexões genuínas na profissão é essencial, afinal, elas se tornam possíveis relações profissionais no futuro.

O pilar editorial da Glamour

Apesar de caminhar ao lado do jornalismo de moda, a beleza é uma área que provoca desdobramentos independentes e perpassa discussões que ultrapassam a estética. Se especializar em jornalismo de beleza significa também observar os movimentos comportamentais, de onde eles partem e como eles impactam a vida, especialmente de mulheres, em diversas camadas. “Além de produtos, beleza para a gente é sobre comportamento. Fala sobre saúde, sexualidade feminina, wellness, bem estar.”, aponta Merino ao descrever o olhar da Glamour para a sua editoria.

Celebrando seus 30 anos de carreira, Taís Araujo posa para a capa digital da Glamour Brasil de novembro de 2025. Foto: Fernando Tomaz/Glamour Brasil.

A Revista Glamour tem hoje a distribuição de dois volumes impressos anualmente, nos meses de maio e setembro. Seu público é jovem, mulheres entre 25 e 35 anos, com um acesso ao digital que transpassa o tratamento da notícia. O veículo se tornou digital first, por isso lança mensalmente uma edição da revista on-line, alimenta site, newsletters e redes sociais, inclusive com projetos inovadores para o mercado editorial, como o Daily Glamour, que aproxima as leitoras da redação e concede acesso exclusivo para assinantes dentro do próprio Instagram.

O produto impresso teve seu projeto gráfico desenhado por um estúdio de designers em Londres, um papel diferente, gramatura e acabamentos que o mercado editorial chama de Coffee Book Table, ou seja, uma revista com o status do luxo analógico.

Mas a distância de seis meses entre as duas edições impressas afeta diretamente a redação, inclusive a curadoria de beleza que é feita para que o conteúdo não envelheça ou perca sentido com o tempo de exposição. “Muda muito a nossa estratégia na hora de criar as pautas e definir as histórias que a gente quer contar, porque a notícia não pode ficar velha no mês seguinte. Quem comprar a revista em novembro ou dezembro ainda precisa encontrar alguma informação exclusiva. A leitura tem que provocar a mesma sensação de quem comprou em setembro”, explicou Merino.

Ex-BBB e Cunhã-poranga do Boi Caprichoso, Marciele Albuquerque, em editorial para a capa da edição digital da Glamour Brasil, em junho de 2026. Foto: Ivan Erick/Glamour Brasil.

Além de digital first, a Glamour se apresenta como beauty first, sendo assim, Carolina Merino atua no setor que guia toda a cultura da empresa e como ela se comunica. Conhecer a linguagem, o fluxo, os valores, identidade e o público do veículo é um dos conselhos que a jornalista deixa para jovens estudantes que desejam ingressar no mercado editorial.

O não-dito no Jornalismo de Beleza

O jornalismo de beleza tem uma particularidade: ele pode ser exercido até mesmo no não-verbal. As imagens têm grande importância para essa editoria e funcionam como uma extensão da narrativa, transformam a estética em linguagem e documentam o espírito do tempo, principalmente através dos registros em mídias especializadas, como as revistas.

Na Glamour, a premissa é envolver discussões aprofundadas em imagens inspiradoras. Portanto, passa a ser papel do jornalista de beleza conhecer as tendências e técnicas de construção da linguagem imagética, com percepção sensível para todas as possibilidades. “O nosso olhar criativo vem de todos os lugares. Muito do que a gente consome na nossa vida pessoal, mas também profissionalmente. Sites nacionais e internacionais, filmes, newsletter, redes sociais. A gente tá no Tiktok, com certeza, porque é de lá que a gente tira muitos insights. De olho no que vem das assessorias, nas trocas com especialistas, em eventos. Nas pesquisas de mercado e o que elas estão dizendo sobre o futuro, por exemplo”, diz a jornalista.

Still de beleza assinado por Merino e equipe Glamour Brasil, publicado na edição impressa, em setembro de 2025. Foto: Lívia Wu/Glamour Brasil.

A capacidade de retratar uma aspiração ou estilo de vida por meio da imagem é enriquecida pelo repertório carregado de conhecimento do poder simbólico. Pensar nos elementos que se aproximam de determinadas personas, sobretudo como a relação entre eles pode provocar desejo, é uma habilidade importante nesse exercício.

Merino compartilhou as fontes que costumam alimentar suas referências estéticas: “A gente fica muito atento aos desfiles, vai atrás de quem fez a maquiagem e o cabelo, tenta ver o máximo de bastidor possível. Pessoas criativas! Tem muita gente que faz maquiagem, não só social, e traz coisas diferentes pro Instagram, então você vai treinando o seu algoritmo para te mostrar cada vez mais esses perfis. Seguir maquiador, manicure de celebridade também. O Pinterest é a nossa principal ferramenta para moodboard de ensaio. Perguntar às pessoas, um maquiador que esteja trabalhando com a gente, de onde ele encontrou a referência, quem ele gosta de seguir. Então eu diria que seguir criativos na Internet, seguir pessoas que estão criando imagem. Fotógrafo maquiador, tanto no Brasil quanto internacional. Para mim, são as melhores fontes de inspiração”.

Como se especializar na editoria de beleza?

Um dos destaques no currículo de um jornalista de beleza é a sua intimidade com termos, profissionais e destaques da indústria. Não basta dominar a escrita ou tão somente os produtos, é preciso saber quem ou o que é relevante a cada momento. Portanto, se especializar também é conhecer maquiadores, marcas e movimentos de mercado para noticiar com propriedade e profundidade.

“Faz muita diferença você saber quem é a Path Mcgrath. Quem é o Guido Palau, que faz os melhores penteados da França. Quem são as pessoas que estão à frente das direções criativas das grandes casas, quem são as casas de fragrância, quem são as maiores produtoras de skincare. Então essa especialização, que é muito específica, é importante para se diferenciar no mercado. Tem muita gente falando sobre beleza, mas ninguém faz o trabalho que um jornalista faz. Ninguém faz o trabalho de apuração, reportagem e entrevista”, lembrou a repórter.

Atriz Alice Carvalho para a capa digital da Glamour Brasil em março de 2026. Foto: Tauana Sofia/Glamour Brasil.

Entre o que você aprende, com quem se relaciona e o que você oferece para o mercado, existe ainda a sua combinação de repertório e experiências. Logo, ser visto — e como você é visto — deve ser intencional. “As conexões são muito importantes para entrar nesse mercado. É importante que as pessoas te vejam e lembrem de você. Deixe claro onde você quer chegar. As oportunidades também só chegaram porque eu fiz um trabalho de marca pessoal. Eu sou a Carolina e trabalho na Glamour, mas eu não sou a Carolina da Glamour. Amo onde trabalho, mas, enquanto jornalista, faço um trabalho excelente, tenho um bom relacionamento com colegas e se não fosse isso, não seria considerada para essa vaga. Faça conexões genuínas. Tenha um olhar apurado, prefira se especializar na área. Seja vista e reconhecida. É um bom começo”, finalizou Merino.

Construir uma trajetória no jornalismo de beleza exige curiosidade, capacitação e atenção aos dois mercados envolvidos: o editorial e a indústria. Desenvolver o próprio repertório e aprender a se posicionar nesse cenário transversal podem ser os maiores recursos para o sucesso da sua carreira.



ESCRITO POR Joicy Eleiny
Jornalista e pós-graduanda em Jornalismo de Moda e Beleza pela ESPM. Criadora de conteúdo e redatora freelancer com foco em moda, beleza e comportamento. Integrante da Comunidade Oficial de Criadores do Pinterest.

Jornalista e pós-graduanda em Jornalismo de Moda e Beleza pela ESPM. Criadora de conteúdo e redatora freelancer com foco em moda, beleza e comportamento. Integrante da Comunidade Oficial de Criadores do Pinterest.

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