VOCÊ ESTÁ LENDO >> O Romantismo de Clare Waight Keller para a Givenchy
POR Guilherme de Beauharnais | 23 de janeiro

“A jardinagem perfeita não é necessariamente uma questão de riqueza, mas sim uma questão de amor, interesse e conhecimento”. A autora da frase, Vita Sackville-West, foi uma paisagista inglesa que, além de amar flores, também foi amante da autora Virginia Woolf. As cartas apaixonadas das duas foram umas das inspirações de Clare Waight Keller  para o desfile de alta-costura da Givenchy, na última terça-feira (21/01).

A estilista britânica escreve, com a coleção, uma carta de amor ao fundador da maison Givenchy. Foto: Givenchy disponivel em anyabelle.com

Intitulada “Uma Carta de Amor”, a coleção também se baseou nas flores do parque do Castelo de Sissinghurst – criado por Sackville-West na década de 1930 –, um dos lugares “mais românticos da Inglaterra”, segundo a estilista. Entre peças brancas de alfaiataria, desfilaram vestidos em tons de azul, amarelo, coral e violeta, evocando pétalas em um jardim de verão.

Apresentar uma coleção inspirada em flores, especialmente para a temporada de verão/primavera, está longe de ser uma ideia original. A irônica frase da personagem Miranda Priestly (de “O Diabo Veste Prada”) logo vem à mente:

“Florais para a primavera? Que inovador”.

Mas Keller conseguiu surpreender e emocionar com suas criações, naquilo que ela própria chamou de “minha carta de amor para Hubert de Givenchy” (que fundou o ateliê em 1952).

Sem firulas

E mesmo com a sensibilidade de uma romântica, a estilista teve sucesso em se manter pragmática e objetiva, sem permitir que a atmosfera se tornasse uma explosão açucarada. De forma consciente, ou não, parece ter seguido o conselho de Sackville-West: manteve a estética simples, por vezes sem muita riqueza de informação, mas mostrou amor, interesse e conhecimento não apenas na costura, mas também na essência do ateliê Givenchy.

Clare Waight Keller trouxe peças modernas, mas não menos bucólicas ou vitorianas nas sensações que despertam. As rendas brancas que figuraram em algumas das peças evocam a imagem de figuras femininas em um passeio no jardim. Se a imaginação permitir, até se pode ter um vislumbre de Vita e Virginia enamoradas entre as flores de Sissinghurst.



ESCRITO POR Guilherme de Beauharnais

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