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Jornalismo de Moda e Comportamento Masculino: a nova cara da GQ Brasil

Ivan Reis |11.mar.21

Se o mundo mudou, nada mais sensato do que também fazer ajustes em produtos que dialogam com a sociedade, e que tem em sua essência observação de fenômenos sociais.  Em um contexto mundial de transitoriedade,  o mercado editorial entra em campo para mudar (uma tentativa, claro) o rumo do jogo da crise nas bancas. A revista GQ Brasil é um desses players.  Publicação do grupo Globo Condé Nast, responsável por Vogue, Casa Vogue e Glamour , a revista masculina aborda novos domínios atingidos pela Ciência com a conectividade da informação online em sua edição de fevereiro. Com capas estreladas por personalidades da mídia digital e acadêmica, como Gabriela Prioli e Djamila Ribeiro, a edição tem nova abordagem em assuntos de moda, estilo e cultura com a estreia de Daniel Bergamasso como editor de conteúdo.

Djamila Ribeiro, Gabriela Prioli, Edu Lyra e Guilherme Benchimol estrelam as capas de fevereiro da GQ Brasil que aborda como a Ciência vem ganhando público além dos muros da universidade na era digital. A edição também marca a estreia de Daniel Bergamasso como editor de conteúdo da revista.

Por dentro da Gentleman’s Quartely

Lançada em 1957 no Estados Unidos como Apparel Arts, a Gentlemen’s Quarterly (GQ) foi uma publicação associada à revista masculina norte-americana Esquire. Em 1983, com as transformações da Conde Nast Publications e do editor Art Cooper, o título se torna essencialmente masculino.

Hoje, a GQ é uma revista mensal presente em dezoito países sobre moda, beleza, comportamento e negócios para o homem. No Brasil, o título chegou em 2011 sob o comando do jornalista Ricardo Cruz e Sylvain Justum como editor de moda. 

Termômetro da informação

Formato tradicional da mídia impressa, o estilo magazine – tanto em impressão como em construção de texto – é voltado a um público segmentado por assuntos, personagens e imagens que compõem sua linha editorial.

A curadoria de conteúdo da GQ Brasil é voltada ao homem urbano, sofisticado, atento aos lançamentos de carros, negócios, livros, roupas e não poupa esforços para curtir uma paisagem paradisíaca no fim de semana. Entendendo o ritmo da publicação, percebemos os critérios de seleção e ordem dos assuntos. É esquentar o conteúdo até a matéria de capa e prender o leitor até o final.  

Nesta última edição, assuntos mais leves e com forte apoio visual lideram as primeiras colocações. A editoria GQ Essencial traz textos enxutos que ocupam páginas com fotografias e ilustrações. Pousadas, cuidados com plantas e imagens de página dupla abrem matérias de interesse geral. A resenha bastante impressiva sobre o romance mais comentado deste verão – Torto Arado, de Itamar Vieira Junior –, receitas e dicas de drinques também preenchem páginas com texto e imagem.

Iluminismo digital

Três matérias encabeçam a edição pelas quatro capas protagonizadas pela filósofa e professora universitária Djamila Ribeiro, a apresentadora e advogada Gabriela Prioli e os empreendedores sociais Edu Lyra e Guilherme Benquimol.

Em GQ Especial Redes Sociais, Alessandra Medina assina Os influenciadores do conhecimento e mostra como a Ciência vem ganhando público fora dos muros das universidades. Seja levantando questões sobre racismo com livros e talks como Djamila Ribeiro ou debatendo pautas políticas em várias mídias como Gabriela Prioli, a presença digital traduz e esclarece assuntos que nem sempre alcançaram uma audiência maior.

Antes da pandemia, a conectividade no mercado corporativo entre empregados e empregadores via LinkedIn já era conhecida como uma espécie de Tinder para oportunidades de trabalho. Com conteúdo diversificado, a métrica dos Top Influencers – título atribuído a Edu Lyra e a Guilherme Benquimol por seus projetos sociais -, ranqueia campeões de engajamento no mercado de liderança com pautas sobre boas práticas ambientais, sociais e governamentais na cultura empresarial.

Entre likes e seguidores, Leonardo Ávila relata o comportamento inautêntico nas redes praticado por quem ganha dinheiro ao interagir com quem compra engajamento e visibilidade. Diário de um seguidor de aluguel é a experiência do jornalista em um perfil de Instagram comandado por um robô para seguir e comentar contas desconhecidas. Se alcance e números são relevantes para alguns, há os que pagam para tê-los.

Estilo, manual do usuário

A editoria de moda é um dos diferenciais da revista. Em outras edições, rendia conteúdo com mais texto e menos imagem. Com muita surpresa, a editoria GQ Manual – Estilo traz produções de passarela ilustrando tendências. Alfaiataria, militarismo e produções minimalistas foram as escolhas de Gabriel Ferriani, stylist da revista, para imagens de campanhas e passarelas em páginas duplas. Muito diferente de um passado em que moda se valia por editoriais e perfis de estilistas e personalidades do meio fashion. Uma forma mais didática de abordar estilo para o público masculino com boas imagens e textos enxutos faz o conteúdo ser certeiro e relevante.

Em Knock Out, movimentos do boxe incorporam peças esportivas e uma sequência de fotografias celebra o espírito aventureiro da parceria entre as marcas The North Face e Gucci. Duas gigantes do mercado se unem na colab de casacos, calçados e camisetas em Coleção de aventuras.

Em tempos de incertezas, é esperançoso que o título volte com seus produtos derivados. Semestralmente, a GQ Style é publicada com curadoria dedicada à moda com entrevistas, editoriais e matérias assinadas por jornalistas que marcaram época, como Erika Palomino e Jorge Wakabara. O prêmio Men of the Year, evento anual da revista, elege os destaques nas áreas artística, social e corporativa e é possível que volte com as transformações do título. Outro evento é o Gentleman’s Day em parceria com o shopping Iguatemi em que um dia é dedicado a ações com música, serviços de personalização e lançamento da revista nas lojas de marcas parceiras como Gucci, Prada, Montblanc entre outras.

 

Nas redes do futuro

Nas transformações que a mídia impressa passa pela incorporação do digital, a revista se adapta aos novos tempos. Nesse ecossistema de versões online, site e redes sociais – como o recente perfil no TikTok -, linguagem, formatos e abordagens guiam passos e interesses de seus leitores. A publicação se torna uma plataforma de conteúdo que articula estratégias dos meios impresso, digital e iniciativas que exaltam o DNA da revista.

Por novas formas de pensar a reformulação do título, a GQ Brasil inicia seu percurso dentro do espírito do seu tempo e de sua linha editorial. Nas palavras de Daniel Bergamasso, “é preciso, afinal, que andem juntos o conteúdo e a forma, o atemporal e a novidade, a ética e a estética, e os complementos e contrastes de todas as pontas”, aponta o novo editor de conteúdo da revista.


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