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Sonho de uma Noite de Verão: Schiaparelli apresenta Alta-costura com croquis

Na segunda-feira (07/07), a maison Schiaparelli divulgou um vídeo do diretor-criativo Daniel Roseberry esboçando Imaginaire, a coleção de Alta-costura 2020/21. Impedido de deixar Nova York pela pandemia, o estilista não conseguiu voltar para o ateliê da marca, em Paris, e por isso nenhuma peça foi produzida. Ainda assim, seus desenhos transparecem não apenas sua enorme familiaridade com a história da marca, mas também seu íntimo desejo de homenageá-la.

31 croquis foram apresentados na mais nova coleção de Alta-costura da Schiaparelli. Créditos imagem: Schiaparelli

Depois de quase trinta anos focada em criar peças únicas para a alta sociedade em colaboração com artistas surrealistas, a italiana Elsa Schiaparelli (Schiap, para os íntimos) decidiu fechar seu ateliê parisiense, o Hôtel de Fontpertuis, em 1954. Foi apenas em 2013, pelas mãos de Christian Lacroix, que a Alta-costura, maior expressão da elite socioeconômica na Moda, voltou a florescer em Fontpertuis. Nas temporadas seguintes, Marco Zanini e Bertrand Guyon seriam os responsáveis pela maison até a nomeação, em 2019, do norte-americano Daniel Roseberry.

Ainda que compreendesse nitidamente o universo onírico e surrealista em que Schiap vivia e criava, Roseberry, até sua mais recente coleção de Alta-costura (apresentada em janeiro de 2020), explorava essa realidade com timidez. Eram poucos os vestidos que traziam referências óbvias à essência do ateliê, deixando essa responsabilidade para os acessórios (como as luvas de ossos e os brincos no formato de olhos).

Para essa temporada, porém, o estilista foi – ou teria sido – muito mais ousado em suas homenagens, como revelam os 31 croquis para essa coleção “imaginária” que Roseberry descreveu, em entrevista à Vogue, como “desobediente”. E o surrealismo caótico de Schiap se provou, novamente, o espaço perfeito para se trabalhar o exagero onírico e criativo que a Alta-costura inspira em costureiros, clientes e entusiastas.

Não provoque, é cor de…

Perfume Shocking, criado em 1937 por Elsa Schiaparelli. Créditos da imagem: Schiaparelli

É impossível pensar em Schiaparelli sem imediatamente relacioná-la com o rosa-choque. Fascinada pelo tom rosado de um diamante, Elsa lançou, em 1937, o perfume Shocking cuja embalagem era em rosa vibrante. O tom, que ficou imortalizado com esse nome, serviu como base para três dos esboços de Daniel Roseberry. Um deles traz um vestido de veludo preto, curto e sem alças, adornado na lateral com um longo e bufante tecido rosa-choque.

Um outro, descrito como uma saia suspensa por bijuterias sobre um maio preto brilhante, traz novamente o brinco de olhos – inspirado no broche que Schiaparelli fez com o artista Jean Cocteau, em 1937 –, mas dessa vez com uma imensa e geométrica letra “S” como pingente. Mais uma demonstração da atenção de Roseberry aos detalhes, já que Elsa tinha a superstição de incorporar a inicial de seu sobrenome às criações.

Metamorfose

Um elemento inovador, que se repete em pelo menos 10 croquis dessa coleção, é o chapéu-sapato. Originalmente, Elsa Schiaparelli criou a peça em colaboração com Salvador Dalí, em 1937, mas desde a reabertura do ateliê em 2012, essa icônica peça ainda não havia sido reincorporada nas coleções de alta-costura da marca. Em um dos croquis, Roseberry escreve que um dos chapéus-sapato seria inteiramente coberto com cabelo.

O diretor-criativo também trouxe maior destaque a elementos que já haviam aparecido timidamente na última coleção, como a fita métrica, que adornou os frascos de Shocking nos anos 1930 e serviu como tiras nas sandálias da temporada anterior, e agora assumiria a forma de lapelas em jaquetas e penhoares. As bolsas em forma de leque e os broches em formato de cadeados e chaves também voltariam nessa coleção, segundo os croquis.

Os croquis de Daniel Roseberry revelam uma temporada que teria representado a culminação da sua profunda apreciação pela história da maison associada à sua grande capacidade inventiva. Créditos da imagem: Schiaparelli

A coleção se encerraria com um vestido de casamento, como é tradicional nos desfiles de alta-costura. O comprimento midi da peça revelaria sapatos dourados, combinando com o tom dos brincos exagerados. O véu criaria a ilusão de ser uma longa extensão do cabelo da noiva e o buquê, sem dúvidas, um ramalhete de íris, as flores favoritas de Schiap.

Os croquis de Daniel Roseberry revelam uma temporada que teria representado sua metamorfose definitiva (Elsa também gostava de borboletas). Até então, o estilista estava apenas sonolento. Esse seria seu momento de derradeira entrega à realidade onírica, surrealista, profunda e “desobediente” de Schiaparelli. Espera-se que o futuro ainda inseguro da pandemia e seu retorno à Paris não representem um momento insone para Fontpertuis.


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