VOCÊ ESTÁ LENDO >> Moda masculina: o homem contemporâneo pelo estilista Mário Queiroz
POR Ivan Reis | 17 de agosto

Análise de imagem: o professor e designer explica as transformações na moda masculina hoje

A moda masculina tem atraído a atenção de críticos e públicos por suas possibilidades em formas, tecidos e cores. Embarcando nessa diversidade, Mário Queiroz, professor e designer, analisa como a moda masculina está quebrando padrões e se reinventando nos últimos tempos. 

Pesquisa de arquivo, imagem e moda 

Com base nos estudos da Semiótica da Cultura e com a expertise de consultor, conhecemos a construção visual de produções das ruas e das passarelas de algumas marcas das semanas de moda para apontar tendências para o homem contemporâneo. Roupa e moda se diferenciam por necessidade e estilo. Além de cobrir o corpo, é possível se individualizar e gerar tendências e comportamentos de consumo. Indo além dessa dualidade, Mário Queiroz aborda a quebra de ocasiões para o uso das peças hoje.  Com o isolamento social, a vida, o trabalho, os costumes mudaram e a moda também. Entre o formal e o casual, a moda festa e o traje de gala, a pandemia reconfigurou limites, libertou e misturou segmentos. “Não há ocasião de uso. Hoje, se recebe Oscar em casa”, brinca o designer. 

Masculinidades e moda  

A roupa casual se incorporou ao guarda-roupa masculino nos últimos anos. A cultura do sneaker se juntou a trajes formais e cria uma alfaiataria despojada e desconstruída. É nessa mistura que marcas se especializam ao gosto de consumidores.  

Com a entrada de Virgil Abloh como diretor criativo da Louis Vuitton em 2018, as criações articulam a tradição de uma moda francesa a looks informais, com moletons, camisetas e versões inusitadas das lendárias bolsas da marca. Tantas formas de uso geram novas propostas que refletem a masculinidade hoje. “Esse homem se vê mais como um indivíduo do que como um grupo”, esclarece Mário Queiroz. Além de uma tendência, o streetwear se torna um novo paradigma associado a outros estilos, segmentos e uso das peças. 

É na evolução desse estilo que o isolamento social trazido pela pandemia pauta produções voltadas ao conforto influenciado pelo underwear em várias coleções. São tecidos mais maleáveis, proporções maiores e simplicidade na construção das peças que a moda masculina se adapta ao home office por uma necessidade. Conquistas sociais importantes também assinalaram percepções em propostas pautadas pela libertação de estereótipos do machismo e das conquistas LGBTQI+ que fazem ascender uma nova mentalidade que repudia qualquer tipo de preconceito. A roupa também revela um novo mindset. 

Nesse novo contexto, existe o homem sensível e interessado por temas relacionados à arte, à moda e que possui bom humor para transitar nesse universo e quebrar padrões. A Geração Z, representada pelos nascidos entre 1995 e 2010, adere a esse guarda-roupa e se liberta de ideias do passado.  

Em 2020, o porto de Shangai foi palco para a Louis Vuitton desfilar uma alfaiataria despojada e divertida em uma grande estrutura. (Reprodução)


“Moda masculina sem gravata e sem rótulos”
É pela (quase) falta do acessório clássico que o professor explica como o homem se liberta de preconceitos e constrói sua nova imagem de moda. Para além do homem branco, alto e forte, outros biótipos são retratados. Negros e asiáticos vem ganhando capas de revista, castings de desfiles e traduzem uma diversidade ausente há tempos. A busca por corpos reais e que se aproximam do público também cresce, como a moda plus size que chega com força no mercado.   

Em agosto de 2020, Virgil Agloh movimenta um evento de proporções astronômicas para promover a Louis Vuitton em território oriental. O porto de Shangai foi cenário para um desfile lúdico e bem-humorado que representa a mistura e a abertura do mercado têxtil. Um diretor criativo negro em uma maison centenária abre portas para o luxo no Oriente: uma mistura que deu certo.   As semanas de moda de Shangai, Taipei e Tóquio trazem imagens masculinas fortes e que destroem a concepção de que a moda para homens é única e conservadora. 

Nos tempos de desfiles presenciais, o streetstyle reinava como termômetro para sabermos o que a rua expressava nos dias em que a roupa era louvada. É assim que looks desafiam os limites entre feminino e masculino pelo uso de vestidos, coturnos, mistura de alfaiataria com jeans, maximalismo de proporções, além do estilo gótico e tradicional. São tendências, modelagens e intenções que nos fazer compreender a construção de uma nova masculinidade. 

As semanas de moda de Shangai, Taipei e Tóquio mostram produções que subvertem os padrões conhecidos da moda masculina com novas silhuetas, estampas e proporções.

Masculino plural
“São novos comportamentos e com homens que se permitem mais na moda”, aponta Mário Queiroz. Vemos surgir novas silhuetas e ideias que fazem a moda refletir as necessidades sociais e ser um instrumento de comunicação. “Há uma evolução da moda no sentido de reconhecer a masculinidade no plural”, arremata o professor.

Créditos: Reprodução/GQ/Vogue/Bazaar Men/Louis Vuitton


ESCRITO POR Ivan Reis
Ivan Reis é mestre em Linguística e apaixonado por leitura, escrita e por todo o universo de jornalismo de moda, principalmente quando se fala em moda masculina.

Ivan Reis é mestre em Linguística e apaixonado por leitura, escrita e por todo o universo de jornalismo de moda, principalmente quando se fala em moda masculina.

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