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Betty Catroux, musa de Yves Saint Laurent, ganha exposição em Paris

No último dia da Semana de Moda de Paris, que começa em 24/02 e se estende até 03/03, o Museu Yves Saint Laurent Paris irá inaugurar a exposição “Féminin Singulier” (Feminino Singular), em homenagem à uma das mais famosas musas do estilista, a modelo Betty Catroux. Com curadoria do atual diretor criativo da grife Saint Laurent, Anthony Vaccarello, a mostra contará com 50 peças que pertenceram a modelo e ficará em cartaz até outubro.

Apesar da enorme afinidade e genuína admiração mútua, a amizade de Yves e Betty – como era comum nas relações do estilista – sempre se manteve superficial e as festas e as drogas eram o principal elo entre essas duas figuras. Foto: Musée Yves Saint Laurent Paris

A doação foi feita para a Fundação Pierre Bergé – Yves Saint Laurent, que foi criada em 2002 para conservar o trabalho de estilista, seguindo sua decisão de se aposentar e fechar o ateliê de alta-costura. Após a morte de Bergé em 2016, o controle da Fundação passou para Madison Cox, viúvo de empresário, que deu carta branca para que Vaccarello organizasse a exposição a partir das 184 peças de alta-costura e 138 de prêt-à-porter (além de bolsas e acessórios) doadas por Catroux recentemente.

Nasce uma Musa

Filha única de uma socialite franco-brasileira e um diplomata norte-americano, Betty Saint nasceu em 1945 e passou parte da infância no Brasil, até se mudar definitivamente para Paris, em 1949. A fisionomia de Betty era incomum para a época, mas nos anos 70 se tornaria ideal para o contexto: uma mistura de características irlandesas, italianas e alemãs, com altura e formas mais “masculinas” (concepção da época).

Aos 17 anos, Betty começou a trabalhar para a própria Coco Chanel, por indicação de uma amiga de sua mãe. Em 1967, casou-se com o designer François Catroux e, no mesmo ano, conheceu aquele que seria sua “alma gêmea” – nas palavras do próprio –, Yves Saint Laurent, na boate parisiense Chez Régine. No ano seguinte, ambos conheceriam Loulou de la Falaise, que completaria o icônico trio que marcou a Paris dos anos 70.

O encontro com Catroux surgiu em uma época significativa na vida de Saint Laurent. Pouco antes de conhecê-la, ele havia se apaixonado pelo Marrocos e estava encantado com os prazeres oferecidos pelo lugar. Além disso, ele havia acabado de criar o le smoking, que brincava com a temática da não-binaridade e combinava perfeitamente com o quadril e o busto diminutos de Betty.

Divertida e inspiradora

Apesar da enorme afinidade e genuína admiração mútua, a amizade de Yves e Betty – como era comum nas relações do estilista – sempre se manteve superficial e as festas e as drogas eram o principal elo entre essas duas figuras. Bergé demorou muitos anos para aceitar completamente a presença da modelo no círculo de amizades do estilista, que acusava ser uma má influência.

Ironicamente, Betty nunca gostou da indústria da moda. Era desinteressada em seu próprio guarda-roupa – que deixava a cargo de Yves – e recusou uma oferta de trabalhar no ateliê. Visitava Saint Laurent apenas para contar fofocas e histórias divertidas, como fez por quase 40 anos, até a morte do estilista, em 2008.

Betty Catroux, hoje com 75 anos, foi – e é – a materialização de muitos aspectos da grife Saint Laurent. Sua vivacidade, despreocupação e não-binaridade encantavam o estilista, que traduziu essas características em muitas coleções. Anthony Vaccarello ressalta que ela “vive e respira Saint Laurent”. A exposição, com suas dezenas de peças doadas, é uma excelente forma de exaltar a essência da marca em tom nostálgico e gera desejo atual, especialmente em quem vai passar por Paris até outubro.

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