VOCÊ ESTÁ LENDO >> Quer estudar moda? As dicas do fundador do The Business of Fashion para os iniciantes
POR Beatriz Mammana | 15 de agosto

A mudança no comportamento do consumidor e a transformação das tecnologias desestabilizam os modelos mercadológicos (até então tão certeiros!) no mundo da moda, assim como pontuou Imahan Amed, fundador e diretor-chefe do site inglês The Business of Fashion, durante SCADstyle2017, festival anual de ideias do Savannah College of Arts and Designers: “Estamos em um momento de grande perturbação, mas isso também significa que estamos em um momento de grande inovação”. É neste contexto que o estudante, cujo objetivo é ingressar na indústria da moda, deve conhecer algumas ideias para ser o profissional que desestabiliza o sistema.

 

 

Entender o negócio é tão importante quanto gostar do meio
O mundo da moda é muito atrativo, pois pressupõe glamour. No entanto, é perigoso interessar-se apenas por aquilo que chama a atenção, pois como Amed alerta: “Saiba como o negócio funciona. Para compreender o seu papel no negócio, você tem que entender toda a cadeia de valor da moda, não apenas o brilho.”.

Um grande número de seguidores é valioso se houver engajamento
“Se você tem seguidores, isso é uma coisa, mas para ser verdadeiramente influente, impactante, você tem que usar essa contagem de seguidores de uma forma que possa mudar e moldar as coisas”, diz o criador do BOF. Dessa forma, as marcas têm feito um grande esforço para alcançar as mídias sociais, mas ainda é preciso aliar o número de seguidores e o impacto digital, como Amed exemplifica com as modelos Gigi Hadid e Karlie Kloss: “Elas estão usando suas plataformas para influenciar a maneira como as jovens veem seu futuro”.

A tecnologia pode propiciar uma marca de moda se for utilizada de maneira significativa
Além do engajamento social, é necessário transformar a rede em um meio significativo. Apesar do investimento em tecnologia, as marcas querem ser vistas usando os novos meios, mas nem todas possuem um verdadeiro objetivo, o qual poderá afetar o que seu negócio tenta realizar.  Ainda que a habilidade de contar histórias e tocar as pessoas seja um aspecto explorado, é importante mensurar se essa proposta aplica-se a todas as empresas. Por isso Imahan justifica: “Nem toda marca precisa estar em todos os canais (mídias sociais)”.

 As marcas de luxo devem aprender como servir os consumidores que procuram se transformar espiritualmente e fisicamente
“Como posso ser uma pessoa melhor? Como posso estar saudável? Como posso gerenciar os rigores da vida cotidiana?”, é o modo como Amed questiona a produção de luxo na era da ascensão na economia de experiência. Esta gera, como Imahan nomeia, o “consumismo da autorrealização”. Isto é, baseado na hierarquia de necessidades de Maslow, o consumidor é verdadeiro com a sua própria natureza.

As empresas devem ser social, ética e ambientalmente responsável, ou há o risco de reação do consumidor
Uma relação mais direta com o consumidor implica honestidade das empresas mesmo que pressuponha a venda de roupas mais baratas pelas lojas de departamento para reduzir a produção de resíduos e melhorar as condições de trabalho para os funcionários. Como nos envolvemos com essas empresas de uma maneira que sejam incentivadas a continuar fazendo isso? “Você pode acreditar ou não na moda rápida, mas essas empresas estão crescendo e não irão parar.” Como o fundador do BOF ainda acrescentou: “é preciso reconhecer que qualquer esforço para reduzir desperdícios implica um grande impacto.”



ESCRITO POR Beatriz Mammana

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